Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
O sota Leonardo, cujo nome completo era, como já atrás ficou escrito, Leonardo Joaquim Cordeiro, natural de Samora Correia, filho de Diogo de Freitas Cordeiro e casado com Joaquina Rosa da Piedade. Desempenhava o cargo de sota-cocheiro das reais cavalariças, para o qual fora nomeado em Salvaterra [de Magos] por Sua Alteza Sereníssima., o Infante D. Miguel. Tinha quarenta anos de idade [em 1824] e morava no Cabeço da Bola, freguesia dos Anjos, numa casa que, segundo suponho, já não existe. Era nessa casa do sota Leonardo que o Infante D. Miguel, em Abril de 1824, se reunia em conciliábulos com vários oficiais do Exército, Seus afeiçoados, a fim de combinar e preparar o movimento contrarrevolucionário que ficou na História com o nome de A Abrilada. O sota Leonardo era um dos executantes das ordens do Infante, assim como o picador da Casa Real, João Sedóvem [sic] […]. Ainda outro comparsa do sombrio drama. José Veríssimo, sargento de cavalaria da Guarda Real de Polícia [CABRAL 1936: 60-61].
Leonardo Joaquim Cordeiro, permanecendo preso a 24 de Junho de 1825, é obrigado, por decreto de indulto e perdão dessa data, a sair do reino, em exílio. Saíram de Portugal via Gibraltar, no brigue de guerra Providência (COLECÇÃO DE LEGISLAÇÃO 1830: 60 e CABRAL 1936: 61].
FONTES
– CABRAL, António, A morte do marquês de Loulé. Uma tragédia na corte. Mistério que se esclarece – documentos inéditos, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1936, pp. 60-61.
– COLECÇÃO DA LEGISLAÇÃO das Cortes de 1821 a 1823, Lisboa, Imprensa Nacional, 1830, p. 60.