Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
Actualizado a 7 de Junho de 2026 (primeira versão: 19 de Dezembro de 2025)
José Veríssimo [Camelo Borges da Mesquita], sargento [da 3.ª Companhia] de Cavalaria da Guarda Real de Polícia [de Lisboa]. Tinha sido, tempo atrás, postilhão, ou correio, de Sua Majestade a Rainha Senhora D. Carlota Joaquina e veio a ser um dos mais desembaraçados agentes da Abrilada. Por este motivo, e pelo que adiante espero contar, foi obrigado a sair de Portugal, assim como o marquês de Abrantes e o sota-cocheiro Leonardo [Joaquim Cordeiro]. Partiram todos, e ainda outros, para o exílio, por Gibraltar, no verão de 1825, a bordo do brigue de guerra Providência [CABRAL 1936: 61].
O mesmo autor indica que, entre as excepções ao indulto, ou amnistia, concedido pelo decreto régio de 24 de Junho de 1825, está incluído o nome de José Veríssimo (CABRAL 1936: 229).
A 29 de Abril de 1826, Maria do Rosário, esposa de José Veríssimo, sargento da 3.ª companhia de Cavalaria da Guarda Real de Polícia de Lisboa, requer que os soldos do marido lhe sem pagos, informando que se encontra destacado na Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra ((PT/AHM/DIV/1/18/054/38, https://ahm-exercito.defesa.gov.pt/details?id=205787).
A 2 de Maio de 1831 o marquês de Tancos, ajudante-general do Estado-Maior-General do Exército, ordena, em nome de Dom Miguel, ao visconde de Veiros, que seja dada baixa do real serviço a José Veríssimo, porta-estandarte da Guarda Real de Polícia de Lisboa, o qual fica impedido de exercer quaisquer funções, pelas razões indicadas na ordem do dia da mesma data (CLEMENTE 1891: 206).
Não é, para já, possível verificar se o que Camilo Castelo Branco escreve na Brasileira de Prazins (1879) sobre José Veríssimo Borges da Mesquita, nascido em 1806 em Alvações do Corgo, no Douro, filho de Norberto Borges de Camelo, corresponde à verdade genealógica e documental, pois o novelista refere que José Veríssimo teria sido sargento do Exército, e não da Guarda Real de Polícia de Lisboa (BRANCO S.D. [1879]: 73-75).
FONTES
Manuscrita
Arquivo Histórico Militar
PT/AHM/DIV/1/18/054/38, https://ahm-exercito.defesa.gov.pt/details?id=205787
Impressa
– BRANCO, Camilo Castelo, A Brasileira de Prazins. Cenas do Minho, Mem Martins, Publicações Europa-América, S.D. (2.ª ed.; ed. orig. 1879), pp. 73-75.
– CLEMENTE, Barão de São (Clemente José dos Santos), Documentos para a História das Cortes Gerais da Nação Portuguesa, t. VIII, Lisboa, Imprensa Nacional, 1891, p. 206.
– CABRAL, António, A morte do marquês de Loulé. Uma tragédia na corte. Mistério que se esclarece – documentos inéditos, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1936, pp. 61 e 229.