Projecto Arquivos e Estudos do Miguelismo

Normas para submissão de propostas de estudos e de verbetes

Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)

Versão 20/12/2025

Normas científicas para autores e editores

 

  1. Constituindo o Dicionário Crítico do Tempo de Dom Miguel um projecto colaborativo, de carácter ensaístico, os verbetes, ou entradas, não se podem limitar a ter um único texto e autor. Devem, assim, coexistir vários textos, e/ou autores, para cada verbete, ou entrada. Os autores podem assinar textos individuais, ou colaborativos. Quando os textos forem individuais, cabe aos editores evitar a existência de redundâncias e repetições entre os dois, ou mais textos, procurando, na medida do possível, estimular que cada autor procure desenvolver aspectos específicos da sua análise, em contraponto com o dos demais. Quando os textos forem colaborativos, a colaboração deve ser identificada de duas formas: um asterisco, quando o primeiro dos autores identificados assume que a maior parte do texto é escrito por si, e os demais intervieram em passagens específicas; por meio de divisão do texto em subtemas diferentes ([1]), cada um indicando uma autoria específica, claramente identificada no cabeçalho, ou em cada um dos subtemas.
  2. A análise interpretativa de cada tema deve ser de natureza problematizante, crítica e ensaística de quem estabelece o estado da arte actual e possível. Privilegiar-se-ão sobretudo as visões holísticas, criteriosas e inovadoras de uma temática, em detrimento de uma mera descrição unipessoal de matéria específica; integrando aparentes disparidades analíticas de um objecto de conhecimento, e escolas díspares de pensamento. Na linha do dicionarismo crítico, essa é a diferença entre um dicionário convencional.
  3. Os autores devem dar prioridade a estabelecer o estado da arte actualizado: indicando lacunas, identificando os principais intervenientes e problemáticas no debate em curso, fontes disponíveis e hipóteses de investigação a desenvolver. Igualmente procurar fornecer informação relevante, de modo sintético, sobre o contexto familiar do biografado (quando for essa a natureza do verbete); os principais momentos da sua existência; enquadramento socioprofissional; procurando estabelecer um perfil da figura em causa (exemplos: intelectual; redactor/jornalista; escritor; militar; negociante; diplomata; magistrado; clérigo, etc.). Por fim, tentar enunciar visões interpretativas e contextualizadoras do significado da vida, obra e/ou legado do biografado, de modo a que o verbete não consista em informações dispersas e dissociadas entre si, simplesmente enunciativa ou descritiva. O que pressupõe um processo reflexivo e editorial cuidado por parte dos autores e dos editores de cada entrada ou verbete.
  4. Nesse sentido, os autores, em diálogo colaborativo entre si e com os editores, deverão ter em conta os objectivos, propostas e tutoriais disponíveis no site do PAEM (Projecto Arquivos e Estudos do Miguelismo, disponível em https://paem.pt/), e projectos similares, com total liberdade intelectual para validar ou refutar o afirmado, desde que de modo construtivo e complementar, procurando contribuir, assim, para o enriquecimento do debate científico em curso.
  5. De uma forma geral, autores e editores deverão, ainda, procurar contextualizar o uso de expressões como usurpação e golpe de Estado, de modo problematizante e criterioso, na tentativa de explicar as motivações socioculturais e mentais de regimes tão antagónicos e díspares quanto os da Santa Aliança, na Europa, e o emergente liberalismo, dos dois lados do Atlântico. Sobretudo, se o fizerem, explicarem porque o fazem. É importante contrariar, explicar e fundamentar as razões que levam ao que pode ser considerado a perpetuação de visões simplistas, anacrónicas e descontextualizadas de acontecimentos e figuras históricas, por parte de jornalistas e historiadores dos dois lados da barricada ideológica. Qualquer movimento e regime contém, por mais que desagrade aos seus oponentes e vítimas, princípios éticos, pensamento jurídico, constitucional e ideológico subjacente, discurso político, religioso e diplomático.
  6. Tratando-se de um projecto de história conceptual, convém tentar evitar ao máximo o recurso a aspas ou plicas (“”, «») para se referirem a conceitos, vocábulos ou ideias da época em estudo, reservando-as para citações ou transcrições de pequena dimensão. O uso reiterado de aspas, ou plicas, num texto interpretativo parece indicar que o autor não está familiarizado com os objectos de conhecimento sobre os quais discorre, e que não consegue contribuir, aparentemente, para a sua classificação tipológica e sobretudo, conceptual. São os casos de miguelismo, miguelista, partido, pedrismo, entre outros. No esforço de contrariar essa reiterada prática, os autores procurarão, sempre que possível, tentar definir a conceptualidade associada a um período histórico e a uma realidade cultural tratados, até à década de 1980, como um período a apagar do registo de memória colectiva da humanidade.

Normas editoriais para autores e editores

 

  1. Nos títulos, dever-se-á evitar, porque redundante, menção a ideias como tempo de Dom Miguel. Em contrapartida, aconselha-se a utilização de datas para indicar o âmbito cronológico considerado: por exemplo, “Trocas Brasil-Angola-Portugal (1822-1850)”.
  2. O nome dos autores e o vínculo institucional devem vir depois do título do verbete em itálico e em entre parêntesis. Caso haja financiamento da pesquisa ele deverá ser informado em nota de rodapé.
  3. Os textos podem ser escritos em português (com utilização, ou não, do Acordo Ortográfico de 1990), castelhano, inglês ou francês.
  4. Os verbetes deverão ter a dimensão máxima de 3 mil palavras (incluindo fontes primárias e secundárias e notas infrapaginais).
  5. As notas infrapaginais, e todas as referências, no corpo do texto, a fontes manuscritas (primárias) e secundárias (impressas, sob a forma de livro, tese, jornal, revista, em papel, ou pdf), devem conter expressamente o número de página, ou páginas, que se pretende referenciar. Não se aceitam menções de fontes sem citação de fólio (no caso de documentos manuscritos) ou de páginas (no caso de documentos impressos). A não aceitação desta norma pode conduzir à recusa liminar de qualquer texto. Um verbete não deve conter referências vagas a autores e títulos; não é esse o seu intento e propósito.
  6. Os textos devem ser entregues em ficheiro Word, com formato Times New Roman, tamanho 12, a espaço e meio. Por precaução, cada envio de ficheiro Word deverá ser replicado em ficheiro PDF, para despistar possíveis erros de formatação.
  7. Os ficheiros deverão ter a indicação de número de página no canto superior direito.
  8. As imagens a incluir em cada verbete deve ser enviado em formato JPEG, ou equivalente, e de modo autónomo, face ao ficheiro de texto. A responsabilidade por eventuais direitos comerciais das imagens são da exclusiva responsabilidade de cada autor, ou autores, dos verbetes.
  9. As referências bibliográficas devem ser feitas no corpo do texto seguindo o padrão: (ARAÚJO 2022: 181).
  10. Ao final do verbete devem ser listadas as fontes e a bibliografia utilizada. As referências completas devem seguir o seguinte padrão: ARAÚJO, Ana Cristina. A legião de Minerva e o patriotismo acadêmico. In: Resistência patriótica e Revolução Liberal (1808-1820). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2022.
  11. Cada versão do ficheiro a ser trabalhado por autor/autores e pelos editores deve indicar, no título do ficheiro, a data da mais recente alteração, assim como as iniciais dos nomes dos intervenientes. Os autores devem, na medida do possível, procurar ir ao encontro dos comentários e sugestões deixados pelos editores. Os comentários não devem ser apagados. Cada alteração deve ser assinalada em cores distintas, sugerindo-se o laranja, o verde, o azul e o vermelho.

[1] Por exemplo: arquivos do miguelismo em âmbitos cronológicos diferentes (1822-1834; 1834-1847; 1848-1866); e em áreas geográficas diferentes (Algarve; Beiras; Douro Litoral, Estremadura; Minho; Ribatejo; Trás-os-Montes e Alto Douro Vinhateiro).