Projecto Arquivos e Estudos do Miguelismo

Ultras (Ultrarrealistas)

Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)

Tal como os moderados, os ultras, ultrarrealistas, ou radicais de direita, durante a regência e reinado (1828-1834) e o chamado tempo de Dom Miguel (1822-1866) constituem uma facção, ou partido, de complexa definição conceptual.

Inimigos figadais, viscerais, de todo o tipo de transigência com a moderação e tolerância política e ideológica, por vezes denominados esturrados (Chauds, em francês), os ultras do tempo da contrarrevolução portuguesa, a partir de 1820, opõem-se com veemência à revolução de 24 de Agosto desse ano, à constituição de 1822, e a todas as formas de pensamento e acção republicanos, maçónicos e carbonários. Combatem quer pela força da lei e das decisões judiciais, das resoluções governamentais, das balas e morteiros, da correspondência diplomática, da parenética religiosa, da polémica na imprensa, do caceteirismo na via pública e da tauromaquia.

Podem ser classificadas 52 dos mais famosos ultras nas seguintes categorias tipológicas, de carácter socioprofissional, ou sociológico:

Desembargadores (magistrados judiciais superiores) [11]:

  • o 1.º conde de Basto, ministro do Reino e da Marinha e Ultramar entre 1828 e 1833;
  • Luís de Paula Furtado de Castro do Rio de Mendonça, ministro dos Negócios Eclesiásticos e das Justiças entre 1828 e 1829 e 1831 e 1834;
  • António Joaquim Gouveia Pinto;
  • António José Guião;
  • Cândido Rodrigues Álvares de Figueiredo e Lima;
  • Francisco José Vieira;
  • Joaquim José Gomes da Silva Belfort, intendente geral da Polícia da Corte a partir de 1831;
  • João Gaudêncio Torres, desembargador da Casa da Suplicação.
  • José Acúrsio [Acúrcio] das Neves, desembargador da Relação do Porto;
  • José Manuel Ferreira de Sousa e Castro, desembargador da Casa da Suplicação e conservador da Universidade em 1829;
  • José Ribeiro Saraiva.

Militares (oficiais-generais) [18]:

  • o marechal graduado 1.º visconde de Veiros, Conselheiro de Guerra;
  • o tenente-general 1.º conde de Rio Pardo, ministro da Guerra entre 1828 e 1829;
  • o tenente-general 1.º marquês de Chaves (e 2.º conde de Amarante), comandante da Divisão Realista internada em Espanha;
  • o tenente-general Manuel de Brito Mozinho, chefe de Estado-Maior-General do Exército;
  • o tenente-general António Tavares Magessi, oficial general (brigadeiro graduado) da Divisão Realista;
  • o tenente-general João Vieira e Albuquerque, oficial superior (coronel) da Divisão Realista;
  • o tenente-general graduado João Galvão Mexia de Sousa Mascarenhas, chefe do Estado-Maior-General do Exército;
  • o marechal-de-campo 1.º visconde da Azenha, oficial general da Divisão Realista;
  • o marechal-de-campo visconde de Montalegre, oficial general (brigadeiro graduado) da Divisão Realista;
  • o marechal-de-campo Joaquim Teles Jordão, oficial general (brigadeiro) da Divisão Realista;
  • o marechal-de-campo graduado 1.º visconde da Várzea, oficial general da Divisão Realista;
  • o marechal-de-campo graduado visconde de Molelos, oficial general (brigadeiro graduado) da Divisão Realista;
  • o marechal-de-campo graduado José António Botelho, oficial general da Divisão Realista;
  • o  chefe de esquadra José Joaquim Rosa Coelho, oficial general da Divisão Realista e major general efectivo da Armada de 1831 a 1832;
  • o brigadeiro João António de Quinhones, memorialista;
  • o brigadeiro Manuel Pinto da Silveira, oficial general da Divisão Realista;
  • o brigadeiro Francisco Morais de Madureira, oficial general da Divisão Realista;
  • o brigadeiro João António Jakou Rebocho.

Militares (oficiais superiores) [2]: 

  • O coronel de milícias Agostinho de Sousa Barros de Pinto Cachapuz;
  • O capitão de Infantaria António Manuel Barruncho.

Militares (oficiais) [2]:

  • O capitão Joaquim Teles Jordão, ajudante-de-ordens de Dom Miguel a 20 de Dezembro de 1833.
  • O tenente de Caçadores 6 Inácio António de Paiva Raposo

Eclesiásticos seculares [6]:

  • D. Frei Fortunato de São Boaventura, arcebispo de Évora e reitor reformador da Universidade de Coimbra entre 1831 e 1834;
  • D. Joaquim de Santa Ana Carvalho, arcebispo do Algarve entre 1819 e 1823;
  • D. Luís António Carlos Furtado de Mendonça, prior-mor da Ordem de Cristo;
  • Padre Alvito Buela Pereira de Miranda, pregador régio;
  • Padre Braga;
  • Padre José Agostinho de Macedo, pregador régio.

Eclesiásticos regulares [3]: 

  • Frei Francisco de Santa Rosa Viterbo Moreira Braga;
  • Frei Faustino da Madre de Deus;
  • Frei Joaquim de Brito França Galvão, Eremita de Santo Agostinho.

Diplomatas [5]: 

  • o 1.º visconde de Canelas;
  • António Ribeiro Saraiva;
  • Francisco de Alpoim e Meneses;
  • Heliodoro Jacinto de Araújo Carneiro;
  • João Maria Borges da Silveira.

Funcionários das estruturas administrativas do Exército e da Coroas [1]:

  • Francisco de Paula Ferreira da Costa, memorialista.

Caceteiros [4], todos relacionados com equitação e/ou tauromaquia, actividades ribatejanas do agrado de Dom Miguel e de membros da aristocracia que o segue, dita marialva: 

  • João José dos Santos Sedovém, cavaleiro tauromáquico, picadeiro da Casa Real e cobrador de talhos;
  • José Veríssimo Camelo Borges da Mesquita, sargento de Cavalaria da Guarda Real da Polícia de Lisboa;
  • Leonardo Joaquim Cordeiro, soba (ajudante de cocheiro) do infante;
  • Manuel dos Santos de Avendaño e Benevides Vassalo, cavaleiro tauromáquico, reposteiro da Real Câmara e correio régio de Dom João VI e de Dom Miguel I.

 

 

 

 

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