Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
Última actualização: 10 de Junho de 2026 (Primeira versão: 6 de Junho de 2026)
D. Diogo José Ferreira de Eça de Meneses nasce em Guimarães, a 1 de Agosto de 1788, e morre em Lisboa, a 4 de Fevereiro de 1878, a poucos meses de completar 90 anos de idade.
É filho de D. Rodrigo José António de Meneses (1750-1807) e de D. Maria José Ferreira de Eça e Bourbon (1753-1796), primeiros condes de Cavaleiros, e irmão do 2.º conde de Cavaleiros e da condessa das Galveias. O 2.º conde de Cavaleiros envolve-se na Conspiração dos Fidalgos de 1805-1806. O 5.º conde das Galveias (1756-1814) exerce a função de diplomata acreditado e de ministro dos Negócios Estrangeiros e dos Negócios da Guerra.
Assenta praça enquanto cadete de Cavalaria no Regimento de Alcântara, sendo promovido honorificamente a alferes a 11 de Agosto de 1789 (pois conta apenas com um ano de idade) e a tenente a 15 de Dezembro de 1791 (com três).
Passa a oficial de ordens do 5.º marquês de Marialva (1739-1803), ajudante-general do Estado-Maior-General, seu tio paterno.
Ascende ao posto de sargento-mor (major) a 3 de Agosto de 1798, aos 10 anos.
Contrai matrimónio, a 23 de Novembro de 1801 (com apenas 13 anos), com Mariana Antónia do Resgate de Saldanha Côrte-Real (1784-1848), filha de D. Luís António de Lancastre Basto Baharem (1751-1830), 2.º conde da Lousã. Passa, a partir de então, a utilizar o título de 3.º conde da Lousã.
Colocado no Regimento de Macklemburgo a 14 de Novembro de 1802, aos 14 anos de idade. Tal regimento é comandado, de 1801 a 1805, pelo 6.º marquês de Marialva (1774-1823), seu primo direito (ambos netos paternos do 4.º marquês).
O título de conde da Lousã é renovado, na sua pessoa, por decreto de 25 de Junho de 1804.
Pouco depois de completar 17 anos, a 15 de Agosto de 1805, é promovido a tenente-coronel.
Demite-se do exército a 29 de Agosto de 1808, aquando do domínio francês em Portugal.
Em 1817 é incumbido de ir a Leorne (território austríaco em Itália) buscar a arquiduquesa Maria Leopoldina, futura princesa do Brasil, e conduzi-la ao Rio de Janeiro. É possível que tenha sido pelo desempenho dessa missão que é agraciado com o título de de grã-cruz da Ordem de Leopoldo da Áustria. A missão diplomática portuguesa na Áustria encarregue de assinar os contratos matrimoniais dos príncipes do Brasil é chefiada pelo primo direito de Lousã, o 6.º marquês de Marialva.
Encontrava-se no Brasil em 1821, quando foi nomeado [a 26 de Fevereiro] presidente do Real Erário, ao tempo em que exercia as funções de mordomo-mor da Princesa D. Maria Leopoldina. Regressou a Lisboa com a Família Real […]. (ZÚQUETE II 1960: 703-704 e PAIXÃO & CARDOSO 1999: 121).
Deputado da Junta dos Três Estados.
O 2.º conde da Lousã, seu sogro, casa, em segundas núpcias, a 15 de Junho de 1820, com Francisca de Saldanha da Gama (1802), irmã mais nova do 7.º conde da Ponte (1793-1852) e da viscondessa de Santarém (1798-1866). Dessa forma, os dois condes da Lousã, D. Luís e D. Diogo, passam a ser parentes do visconde de Santarém (ministro dos Negócios Estrangeiros de Dom Miguel, a partir de 1828) e do conde da Ponte e visconde de Asseca, representantes diplomáticos oficiosos em Paris e Londres.
Tomou posse como Par do Reino, em 31 de Outubro de 1826. No decorrer dos trabalhos esteve do lado dos pares que contestaram o Projecto do Regimento da Câmara dos Pares enviado pelo Governo, votando pela sua rejeição no dia 3 de Novembro de 1826. No dia 7 de Novembro de 1826 foi incumbido pelos seus pares de proceder a revisão do dito regimento em conjunto com o Marquês de Olhão. Durante esta legislatura integrou a Comissão dos Negócios da Fazenda (CASTRO 2002 II: 602).
Ministro das Finanças e presidente do Erário Régio de Dom Miguel entre 26 de Fevereiro de 1828 e 1 de Agosto de 1833 (PAIXÃO & CARDOSO 1999: 267).
Presente, enquanto membro do braço da nobreza, nas cortes tradicionais de Lisboa de 1828, assinando por si, e pelo sogro (SANTARÉM 1919 V: 525).
Existe documentação (incluindo correspondência de, e para, o conde da Lousã) relativa ao empréstimo tomado em 1832 pelo Estado português em SANTARÉM 1919 V: 447-503.
Encontra-se em Estremoz, com os viscondes de Santarém, quando as tropas liberais, comandadas pelo duque da Terceira, se aproximam daquela povoação alentejana. Tentando retirar-se, de carruagem, em direcção a Évora, ficando, porém, os veículos na iminência de serem atingidos pela vanguarda do exército liberal. Segundo o marquês de Fronteira, vale a intervenção de um dos seus irmãos, D. Carlos de Mascarenhas, e do major Pedro de Melo. Acabam por regressar, em segurança, a Estremoz. O marquês descreve as horas que passa, em Estremoz, na companhia dos notáveis miguelistas (FRONTEIRA “Parte V – 1833 e 1834”, pp. 92 e 104-105). Parece que o conde da Lousã é aprisionado a 25 de Maio de 1834, dois dias antes da convenção de Evoramonte, pelo marechal duque da Terceira, “quando fugia para Estremoz, parece que no encalce de D. Miguel” (MÓNICA 1997: 74-75 e n. e PASSOS 1936: 394).
Suspenso das funções de par do reino a 28 de Maio de 1834.
Em Julho seguinte, permanece, sem culpa formado, o conde encerrado no castelo de São Jorge, em Lisboa, juntamente com o bispo do Algarve e com Carlos Matias Pereira (MÓNICA 1997: 73-75). Assim continua, em Setembro desse ano de 1834.
Reintegrado na câmara alta por lei de 23 de Maio de 1851, “por sua livre vontade não voltou a ocupar o seu lugar” (CASTRO 2002 II 602).
Grã-cruz da ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e comendador da Ordem de Cristo.
FONTES
– CASTRO, Zília Osório de [Dir.], Dicionário do Vintismo e do Primeiro Cartismo (1821-1823 e 1826-1828), vol. II, Lisboa, Assembleia da República/Edições Afrontamento, 2002, p. 602.
– FRONTEIRA, Memórias do… e d’Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, Ditadas por Ele Próprio em 1861…., “Parte V – 1833 a 1834”, Lisboa, Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1986 (reimpressão fac-similada da ed. de Coimbra de 1928), pp. 92 e 104-105.
– MÓNICA, Maria Teresa, Errâncias Miguelistas (1834-43), Lisboa, Edições Cosmos, 1997, 73-75.
– PAIXÃO, Judite Cavaleiro & CARDOSO, Cristina, Do Erário Régio ao Tribunal de Contas. Os presidentes. Apresentação de Alfredo de Sousa, Lisboa, Tribunal de Contas, 1999, pp. 121 e 267.
– PASSOS, Carlos de, D. Pedro IV e D. Miguel I. 1826-1834, Porto, Livraria Simões Lopes, 1936, p. 394.
– SANTARÉM, 2.º Visconde de, Correspondência do… Coligida, coordenada e com anotações de Rocha Martins (da Academia das Ciências de Lisboa). Publicada pelo 3.º Visconde de Santarém, vol. V, Lisboa, Alfredo Lamas, Mota e C.ª, Editores, 1919, pp. 447-503 e 525.
– ZÚQUETE, Afonso Eduardo Martins (Dir., coord. e compil.), Nobreza de Portugal e do Brasil: bibliografia, biografia, cronologia, filatelia, genealogia, heráldica, história, nobiliarquia, numismática, Lisboa, Enciclopédia Editora, vol. II e III, 1960, pp. 703-704.