Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
O conde Joseph Marie de Maistre foi um advogado, diplomata e filósofo político nascido em Chambéry, província do ducado da Saboia e do reino de Sardenha-Piemonte, a 1 de abril de 1753, filho do conde François-Xavier Maistre (1705–1789), magistrado e senador, e de uma senhora de apelido Desmotz, proveniente da comuna de Rumilly. Falece a 21 de Fevereiro de 1821, poucas semanas antes de completar 68 anos de idade. É o mais velho de dez irmãos.
Terá sido educado pelos jesuítas, advogando, após a revolução francesa de 1789, a defesa da Sociedade de Jesus contra os princípios jansenistas. O conde de Maistre é, de resto, um dos mais originais pensadores europeus, durante a era contemporânea, do conservadorismo, do ultramontanismo e da contrarrevolução. Começou, porém, por advogar as teorias do galicanismo francês, historicamente nascido em 1682, da Declaração do clero de França, codificando os princípios do regalismo.
Em 1774 Maistre conclui os estudos em Direito na universidade de Turim. Nesse mesmo ano é iniciado na loja do Rito Maçónico Escocês, à qual pertence até 1790.
Em 1775 publica, na sua terra natal, Chambéry, a obra Eloge de Victor-Amadée III, duc de Savoie, roi de Sardaigne.
Em 1787, ainda em vida do pai, torna-se senador.
Do casamento de Maistre com Françoise de Morand de Saint-Sulpice (1759–1839) nascem três filhos: Adèle (1787-1862), Constance (1793–1882), duquesa de Laval, pelo matrimónio com o 4.º titular (1773-1851), e Rudolphe (1789-1866), oficial do exército imperial russo.
Aquando da revolução francesa, o conde Joseph Marie de Maistre teria, legalmente, direito a fazer parte dos Estados Gerais franceses convocados a 5 de Maio de 1789, enquanto terratenente em França. Todavia, os decretos de 5 de Agosto seguinte, consumando a abolição do feudalismo, fazem com que se indisponha com a direcção que os acontecimentos tomam.
Quando o exército francês toma Chambéry em 1792, Maistre parte para Turim, mas não conseguindo obter um cargo régio na corte, volta à terra natal em 1793. Exila-se, porém, para Lausana, discutindo teologia e política no salão literário de madame de Staël (1766-1817).
Publica, na Suíça, vários livros: Lettres d’un Royaliste Savoisien (1793), Discours à Madame la Marquise Costa de Beauregard, sur la Vie et la Mort de son Fils (1794), Cinq paradoxes à la Marquise de Nav… (1795), Considérations à la France (Basileia e Genebra, 1797, Paris, 1798 e 1814).
O conde de Maistre passa a Veneza e à capital da Sardenha, Cagliari, na qual o rei do Piemonte-Sardenha se exilara, após a tomada francesa de Turim após 1798. Apesar de relações problemáticas na corte, Joseph Marie de Maistre é designado embaixador em São Petersburgo, função diplomática que ocupa durante quase década e meia, de 1803 a 1817. As obrigações oficiais de Maistre eram reduzidas, o que lhe permite cultivar relações sociais próximas na capital imperial russa, conduzindo, inclusive, à conversão de várias figuras ao catolicismo, e a entregar-se à escrita. É de 1809 o volume Essai sur le Principe Générateur des Constitutions Politiques et des autres Institutions Humaines. Por seu lado, Du pape, cujo primeiro volume é suposto ser impresso em finais de 1817, mas que apenas aparece em 1819 (quando Maistre já regressara a Turim), é um dos principais ensaios da sua autoria (MAISTRE 1819 I: V).
De 1817 até à morte, a 21 de Fevereiro de 1821, o conde de Maistre desempenha funções de ministro dos Negócios Estrangeiros da Sardenha-Piemonte, num dos raros exemplos de filósofos políticos europeus conservadores, contrarrevolucionários e legitimistas a exercer tais funções (outros dois foram o francês visconde de Chateaubriand e o português visconde de Santarém).
FONTES
– MAISTRE, conde Joseph Marie de, Du pape. Par l’auteur des Considerations sur la France, t. I, Lyon, Chez Rusand, Libraire e Paris, Chez Beaucé-Rusand, 1819, pp. V e VII, n.