oficial das Guardas aquando da Revolução Francesa, emigrou em 1789. Foi Ajudante-de-campo [do príncipe] de Condé e esteve na sublevação da Vendeia. Tomou parte nas campanhas do Reno, em 1794, e pertenceu ao Exército do Visconde de Scepeaux. O Conde de Artois promoveu-o a Marechal-de-Campo. Em 1799 foi aprisionado pelos Republicanos e em 1800 apresentou-se a Napoleão. Preso em 1804, por conspiração realista, conseguiu fugir e refugiar-se em Portugal [PALMA-FERREIRA 1982: 77, n. 33].
Autêntico aventureiro, foi novamente preso em França mas, logo solto, veio a combater na Rússia. Em 1814 era General de Brigada e seguidamente de Divisão. Realista, serviu Luís XVIII e novamente Napoleão, abandonando depois os soldados em Fleurus [batalha ocorrida em 26 de Julho de 1794]. Depôs contra o Marechal Ney [executado a 7 de Dezembro de 1815, PALMA-FERREIRA 1982: 77, n. 33].
Ajustei com ele, sobre estes pontos, [que] nos entenderíamos por escrito e disse-lhe que convinha, sobretudo, que ele pedisse a El-Rei que todas as comunicações entre ele e Sua Majestade, que não fossem presenciais, fossem por meio e intervenção do duque de Lafões (irmão do de Cadaval).
As principais razões que dei foram que convinha, sobretudo, tratar e pôr os negócios em mãos de gente de bom carácter, de verdadeiro zelo e desejo de bem público e que, muito especialmente, fossem superiores às intrigas das camarilhas e das sevandijas do Paço (Pires 1940: 390).
mandou assaltar em toda a frente as linhas liberais para cortar definitivamente a ligação da cidade [Porto] com o mar da Foz, por onde os sitiados recebiam reforços e mantimentos, o que falha [DÓRIA 1989 (2.ª ed.) I: 363].
Tendo Eu pela Carta Régia da data de hoje nomeado ao Marechal de França, Conde de Bourmont, Marechal General dos Meus Reais Exércitos, junto à Minha Real Pessoa e Chefe do Meu Estado Maior General, Sou servido exonerar ao Conde de Barbacena do referido cargo de Chefe de Estado Maior General, devendo continuar a servir interinamente de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra. O mesmo ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra o fique assim entendendo. Paço em Leça de Bailio, aos catorze de Julho de mil oitocentos e trinta e três. = Com a rubrica de SUA MAGESTADE.Tendo atenção aos Serviços que Me tem feito o Conde de Barbacena, Tenente General Graduado dos Meus Reais Exércitos, que pelo seu valor e talentos militares tem merecido a Minha consideração, sou servido promovê-lo a Marechal dos Meus Reais Exércitos, com todas aquelas prerrogativas e preeminências que competem a tal posto. O Ministro e Secretário de Estado que interinamente serve nos Negócios da Guerra, assim o tenho entendido e expeça os despachos necessários. Paço em Leça de Bailio, em catorze de Julho de mil oitocentos e trinta e três anos. = Com a rubrica de SUA MAGESTADE (GAZETA DE LISBOA n.º 172, de 23-7-1833: 890 e CARRILHO 2002: 6 e 94).
Terá assumido em Coimbra, morto o conde de Basto e caído em desgraça o duque de Cadaval, uma preponderância político-militar extraordinária:
guindado a quase primeiro-ministro omnipotente, a dominar as pastas da guerra e da fazenda, a querer empolgar todos os altos cargos.
O conde de Bourmont substituía assim, naqueles ministérios, os condes de São Lourenço (por doença) e da Lousã (porque caído em desgraça ou por falta de fundos governamentais). Como se não bastasse, rapidamente o marechal-general chamou também a si as funções de
General-em-Chefe do Exército de Operações sobre Lisboa”, substituindo Almer.
Nos finais de Setembro de 1833, Bourmont é substituído enquanto comandante-em-chefe das tropas miguelistas.
Sabe-se também que o duque de Cadaval foi ouvido a propósito do caso de Bourmont, na condição de conselheiro militar do rei.
Segundo carta de António Ribeiro de Saraiva dirigida ao barão de Vila Seca, datada de 2 de Janeiro de 1838,
Ao que constava, a demissão dada a Bourmont estava relacionada com a sua insistência, em conselho de D. Miguel, no chamamento dos três Estados (carta de Ribeiro Saraiva a Vila Seca, 2 de Janeiro de 1838 [MÓNICA 1997: 234, n. d)].
Aquando do exílio romano de D. Miguel, são nomeados comendadores
dois carlistas franceses, futuros genros de Bourmont, que tinham servido no exército miguelista [MÓNICA 1997: 52 a)].
Quinhones, na obra citada, diz que D. Miguel fora aconselhado pelo general Conde Bourmont [sic], o vencedor de Argel que ajudou D. Miguel na guerra civil portuguesa, a fingir-se pobre, sugestão rapidamente aceite (MÓNICA 1997 54 a)].
Viveu ainda em Espanha e na Itália e só regressou a França em 1840, morrendo seis anos mais tarde no seu domínio de Bourmont (João Palma-Ferreira, in COSTA 1982: 77, n. 33).
– CARRILHO, Luiz Pereira, Os Oficiais d’El-Rei Dom Miguel (Introdução e índices Nuno Borrego e António de Mattos e Silva), Lisboa: Edições Guarda-Mor, 2002 (reedição fac-similada da 1ª edição, de 1856).
– COSTA, Coronel António José Pereira da (Coord.), Os Generais do Exército Português, II Vol., I t., Lisboa, Biblioteca do Exército, 2005, nº 19-0399, p. 253.
– COSTA, Francisco de Paula Ferreira da, Memórias de um miguelista (1833-1834). Prefácio, transcrição, actualização ortográfica e notas de João-Palma Ferreira, Lisboa, Editorial Presença, 1982.
– DÓRIA, António Álvaro, “Bourmont, Louis-Auguste-Victor”, in Joel Serrão (Dir.), Dicionário de História de Portugal, vol. I, Porto, Livraria Figueirinhas, 1989 (2.ª ed.), p. 363. – MÓNICA, Maria Teresa, Errâncias Miguelistas (1834-43), Lisboa, Edições Cosmos, 1997. – PIRES, Eurico Satúrio, “O Marechal-conde de Bourmont em Portugal (Julho a Setembro de 1833)”, Sexto Congresso do Mundo Português, 1940, p. 385. – VALENTE, Vasco Pulido, O Fundo da Gaveta, Lisboa, Publicações D. Quixote, 2018, p. 83. – VICENTE, António Pedro, O recrutamento de militares no estrangeiro – de Schaumbourg Lippe a William Beresford (Separata das Actas do IV Colóquio A História Militar de Portugal no Século XX), 1993. – Gazeta de Lisboa nº 172, de 23 de Março de 1833, p. 890 e Ordens do dia nº 83.