Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
Actualizado a 12 de Setembro de 2026
O conde franco-austríaco Heinrich Franz von Bombelles, ou Henri de Bombelles, nasce em Versalhes a 26 de Junho de 1789, dias antes da tomada da bastilha, e morre em Savenstein, no ducado da Carníola (actual Eslovénia), a 31 de Março de 1850, aos 60 anos.
Pertence a uma família com raízes em França, mas cujos membros se naturalizam austríacos, famosa pelos diplomatas e figuras públicas da Europa dos finais do século XVIII a meados do século XIX.
É filho de Marc Marie de Bombelles, marquês de Bombelles (1744-1822), aristocrata francês, e da baronesa Marie Angélique de Mackau (1762-1800), dama da corte francesa e mulher de letras, muito próxima de Madame Elisabeth (1762-1794), irmã de Luís XVI, Luís XVIII e Carlos X, reis de França.
O seu avô paterno, o conde Henri François de Bombelles (1681-1760), é tenente-general francês e autor de obras sobre temas militares. Entre os títulos publicados, conta-se o Traité des évolutions militaires les plus simples et les plus faciles à exécuter pour l’infanterie, o qual é conhece edição portuguesa em 1761, com tradução de António Baptista Velasco, e título de Tratado das evoluções militares do conde de Bombelles, mestre-de-campo-general dos Exércitos de Sua Majestade Cristianíssima, Lisboa, Oficina Patriarcal de Francisco Luís Ameno.
Entre os irmãos do conde Heinrich Franz contam-se:
- o conde Ludwig Philipp von Bombelles (1780-1843), primogénito, diplomata austríaco;
- Bitche von Bombelles (1783-1805), militar morto na batalha de Ulm (em Wurtemberg);
- Charles-René von Bombelles (1784-1856), o qual casa com a arquiduquesa austríaca Maria Luísa (1791-1847), ex-imperatriz de França, viúva de Napoleão Bonaparte e duquesa de Parma;
- e Caroline Antoinette de Bombelles (1794-1861), dama de companhia da duquesa de Berry, a qual contrai matrimónio com Marie Jean François de Biaudos de Castéja, tenente-coronel de cavalaria e deputado francês.
O conde inicia a carreira militar no exército austríaco em 1805, lutando em Itália e atingindo a patente de capitão aquando da batalha de Leipzig, em 1813.
Em 1815 acompanha o conde Maximilian Friedrich von Merveldt a Londres, em missão diplomática, em 1813-15 e participa, enquanto ajudante do arquiduque Ferdinand Karl Joseph von Österreich-Este (1781-1850), neto da imperatriz Maria Teresa, na campanha de derrota definitiva de Napoleão I, após os Cem Dias.
Representa diplomaticamente o império austríaco em São Petersburgo, capital da Rússia.
O conde Heinrich Franz von Bombelles é um dos signatários austríacos dos protocolos das conferências internacionais de Viena de 10, 20 e 23 de Outubro de 1827, pelos quais são acordadas as condições do regresso do infante D. Miguel a Portugal. Bombelles assina, igualmente, o protocolo da conferência internacional de Londres, de 12 de Janeiro de 1828, quando em trânsito para a capital portuguesa.
De seguida, segue para Lisboa, na qual passa a representar o império austríaco. Nessa condição, mantém-se em estreito contacto com Sir Frederic Lamb, representante diplomático britânico, e com o conde de Vila Real, ministro português dos Estrangeiros. Está disponível o memorandum da conferência tripartida de 4 de Março de 1828, em Bicker XXIV 1880: 418-424.
Também existem algumas referências ao conde Henri de Bombelles, como é então designado, no vol. I da Correspondência do 2.º Visconde de Santarém.
Apresenta, a 7 de Março de 1828, credenciais ao infante D. Miguel (SANTARÉM 1919 V: 38-39 e n. 1). Existe o memorandum da conferência, mantida a 19 de Março, com o visconde de Santarém (SANTARÉM 1919 V: 100-103). Participa na audiência do corpo diplomático estrangeiro acreditado em Lisboa a 11 de Abril seguinte (SANTARÉM 1919 V: 72 e 76). Referido em ofício reservado, de 26 de Abril, dirigido pelo visconde ao barão de Vila Seca ((SANTARÉM 1919 V: 100-103). A 12 de Maio, o marquês de Palmela oficia, de Londres, que em breve Sir Frederic Lamb e Bombelles abandonarão funções, dados os acontecimentos de 25 de Abril, dia em que o senado da câmara de Lisboa pedira ao infante-regente a convocação de cortes tradicionais (SANTARÉM 1919 V: 158). De facto, já anteriormente, a 8 de Maio, Bombelles e os demais chefes de missão diplomática acreditados informam a suspensão de funções, dada a circular de 6 de Maio de convocação das cortes à moda antiga (SANTARÉM 1919 V: 151). A 5 de Julho, é mencionada a partida do conde de Bombelles (SANTARÉM 1919 V: 219).
Regressando a Viena de Áustria, o conde Heinrich Franz von Bombelles assume, a partir de 1836, por decisão da arquiduquesa Sofia (nascida Sofia da Baviera), e do príncipe de Metternich, a tarefa de tutor de Francisco José (1830-1916), herdeiro do trono austríaco e imperador de 1848 a 1916, nascido a 18 de Agosto de 1830.
Em Viena, o conde, juntamente com a princesa, francesa, de Polignac, o príncipe de Esterhazy e a princesa de Metternich, convive com Lady William George Russell (née Elizabeth Anne Rawdon, 1793-1974), ultra-tory britânica, a qual permanece em Lisboa entre finais de 1832-Agosto de 1834, numa época de transição entre a tomada da capital portuguesa pelos liberais portugueses, e o fim da guerra civil (BLAKISTON 318-319, 411 e 415-416).
Em Maio de 1848, aquando da revolução desse ano, acompanha o jovem príncipe, e os irmãos deste, na fuga para a região de Innsbruck.
Falece o conde Heinrich Franz von Bombelles a 31 de Março de 1850, pouco tempo depois de o seu pupilo imperial começar a reinar, a 2 de Dezembro de 1848.
FONTES
BLAKISTON
Bicker XXIV 1880: 418-424
SANTARÉM 1919 V