Daniel Estudante Protásio (Centro de História da Universidade de Lisboa)
Tal como no século XX, em Portugal, após o 25 de Abril de 1974, existiu o chamado Grupo dos Nove, entre 1828 e 1834 as principais figuras moderadas do miguelismo, ou realismo eram nove, boa parte deles secretários de Estado e ministros (Cadaval, Santarém, Barbosa de Magalhães, São Lourenço e Barbacena), e dois ministros diplomáticos oficiosos em Paris e Londres (Ponte e Asseca). Lafões foi secretário particular de Dom Miguel entre 1832 e 1833. O bispo de Viseu, responsável pela reforma da Universidade de Coimbra, entre 1828 e 1831.
Durante a regência e reinado de Dom Miguel, um grupo de nove figuras políticas masculinas miguelistas destacaram-se enquanto moderados. Foram eles:
- O 6.º duque de Cadaval, ministro assistente ao despacho entre 1828 e 1831, conselheiro de Estado, coronel general dos Voluntários Realistas;
- O 3.º duque de Lafões, seu irmão mais novo, secretário particular de Dom Miguel entre 1832 e 1833;
- D. Francisco Alexandre Lobo, bispo de Viseu, reitor reformador da Universidade entre 1828 e 1831;
- João de Matos e Vasconcelos Barbosa de Magalhães, protegido do duque de Cadaval;
- O 9.º conde de São Lourenço, ministro da Guerra entre 1829 e 1834, supostamente controlado pelo ultrarrealista 1.º conde de Basto;
- O 2.º conde de Barbacena, primo do anterior, chefe de Estado-Maior-General do Exército;
- O 2.º visconde de Santarém, ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1828 e 1834;
- O 7.º conde da Ponte, cunhado do visconde de Santarém, ministro da Guerra e interino dos Negócios Estrangeiros em 1827 e embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário, oficioso, de Dom Miguel em Paris entre 1828 e 1833;
- O 6.º visconde de Asseca, cunhado do conde da Ponte, e embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário, oficioso, de Dom Miguel em Londres entre 1828 e 1831.
Estas foram as nove personalidades principais da facção, ou partido dito realista, ou moderado, dentro do miguelismo. Outras existiram, mas com menor projeção política, a saber:
- O 4.º marquês de Tancos, Ajudante-General do Estado-Maior do Exército e Ministro de Estado honorário;
- O 1.º marquês (e 2.º conde) de Viana, vice-almirante graduado da Armada e irmão do anterior;
- O 2.º marquês de Olhão, presidente do Senado da Câmara de Lisboa, cunhado dos anteriores;
- O 2.º marquês de Belas, tenente-general graduado, concunhado dos anteriores;
- O visconde de Peso da Régua, comandante do Exército de Operações sobre o Porto em 1832-1833;
- O visconde de Santa Marta, sobrinho do anterior, sucessor do tio no comando das tropas que cercam o Porto em 1833;
- Joaquim José Maria de Sousa Tavares, comandante da Guarda Real de Polícia de Lisboa;
- José Joaquim Rodrigues de Bastos, intendente geral da Polícia de Lisboa.